Sonhos: possibilidades diferentes de sermos nós mesmos

Sílvio Lopes Peres

Jung

 

A natureza nos oferece um valioso patrimônio de vida: os sonhos. Passamos um longo período de tempo dormindo e sonhando. Não podemos descartar os sonhos, como se não fossem importantes.

 

Para C. G. Jung: “O sonho é uma autorrepresentação, em forma espontânea e simbólica, da situação atual do inconsciente” (A natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 1986, p. 201).

E ainda afirma: “Os sonhos não são invenções intencionadas e dependentes do arbítrio, mas sim fenômenos naturais, que não constituem nada mais do que aquilo mesmo que representam. Não enganam, não mentem, não distorcem, não disfarçam, mas anunciam com simplicidade aquilo que são e que significam. [...] Sempre procuram exprimir alguma coisa que o “eu” ignora e não entende” (O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis: Vozes, 1983, p. 108-109).

Portanto, sonhamos com nós mesmos, simbolicamente. É como se em cada um de nós existissem vários “eus”, que funcionam de modo diferente daquilo que sabemos acerca de nós mesmos.

As pessoas, lugares, objetos e situações vivenciadas nas imagens oníricas revelam aspectos nossos de que normalmente não somos conscientes, ou seja, manifestam motivações inconscientes presentes nos relacionamentos e apresentam novos pontos de vista nas situações da vida.

Segundo Robert A. Johnson (1921-) as imagens oníricas, são: “Componentes psicológicos autônomos: cada um tem sua própria consciência, seus próprios valores, desejos e pontos de vista. Cada um nos leva a uma direção diferente; cada um tem uma força ou qualidade diferente para contribuir em nossa vida” (A chave do reino interior. São Paulo: Mercuryo, 1989, p.57).

Daí a importância de “trabalhar” os sonhos, mais do que simplesmente relatá-los; implica em experimentá-los, isto é, perceber-se dentro deles, resgatar as emoções vivenciadas. Este, talvez, seja o principal motivo pelo qual os consideramos estranhos à vigília, simplesmente porque seus conteúdos questionam nossos sentimentos e valores conscientes.

Sugiro que você estabeleça o hábito de anotar os sonhos: mantenha próximo à sua cama um caderno, lápis ou caneta, assim evita-se que eles se percam na escuridão do esquecimento.

Estas anotações podem ser revistas a qualquer momento, e ajudará a perceber que alguns temas/assuntos se repetem, ressaltando a importância e o necessário trabalho a ser empreendido pela consciência. E, tenha certeza: aos poucos os sonhos deixarão de ser considerados “bobos”, ou pertencentes a um território impenetrável, mas, principalmente, você estará mais perto de quem você é.

Robert Bosnak, analista junguiano holandês, recomenda relatar os sonhos com outras pessoas, além de procurar um tratamento analítico que os leva em conta, pois alguém pode nos ajudar a prestar atenção em alguma imagem que nos pareça irrelevante, mas, na verdade, possui um importante significado simbólico (Breve curso sobre sonhos. São Paulo: Paulus).

Bons sonhos!

Sílvio Lopes Peres – Psicólogo Clínico – CRP 06/109971 – Analista Junguiano, membro do Instituto de Psicologia Analítica de Campinas (IPAC), da Associação Junguiana do Brasil (AJB) e da International Association for Analytical Psychology (IAAP) – (Zurique/Suíça)

(Foto de Maria Sofia D.)

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