Vulnerabilidade:

um sentimento inadequado ?

Vulnerabilidade

Resumo - Este trabalho tem como objetivo evidenciar alguns aspectos sobre o sentimento de vulnerabilidade, suas origens e influências no comportamento de pessoas, tendo por base estudos de Sonia Lyra. Para tanto revisão a literatura pertinente foi revisada pela consulta de livros e outras publicações. Os resultados permitiram concluir que vulnerabilidade é conhecer a vitória como a derrota, pois a incerteza, os riscos e as exposições emocionais do dia-a-dia não são opcionais. Por outro lado, o grau de autoproteção contra a vulnerabilidade é a medida do medo e do isolamento em relação à vida. Portanto, vulnerabilidade não é sinal de fraqueza nem um sentimento inadequado, apenas demonstra as imperfeições do homem.

Palavras-chave: sombra, persona, psique, sofrimento, resiliência.

Introdução

O ser humano como unidade orgânica e estrutural é dotado de integridade corpórea, psicológica, social e espiritual. Portanto é um ser pluridimensional, com diversas interfaces que estabelecem vínculos com seu entorno e seus semelhantes.

Todavia está constantemente ameaçado por elementos próprios e alheios como a enfermidade, a velhice, o sofrimento, a humilhação, a exclusão e o abandono, por exemplo. Assim, a autonomia humana é vulnerável seja do ponto de vista físico, como social e psicológico (Roselló, 200916). 

Vulnerabilidades são dificuldades internas vivenciadas desde o nascimento e ao longo da vida. A convivência com fatores de risco geram o desenvolvimento de distúrbios evolutivos, problemas de conduta e/ou desequilíbrio emocional. Alguns destes problemas são de fundo emocional, aparecem durante a vida e se desenvolvem como experiências ruins, desilusões, desejos frustrados, solidão, ansiedade, pressa, tédio, sobrecarga de trabalho e outras situações que provocam sofrimento (Morais, http://www.marisapsicologa.com.br/as-12-vulnerabilidades.html). A vulnerabilidade aumenta a probabilidade de resultados negativos na presença de risco. 

O ser humano é aberto e integrado à sua realidade. Quando esta se deteriora, afeta gravemente sua estrutura pessoal, sua forma de viver, trabalhar e amar. Nas sociedades massificadas o desconhecimento do outro e a desconfiança são um tipo de relação habitual. O entorno social, portanto, determina sofrimento. Muito do padecer humano é conseqüência do convívio em sociedade que, quando deteriorada, se expressa como patologia de origem social. O homem também é dependente da sua cultura. Assim, a vulnerabilidade depende do grau de conhecimento que se tem em diferentes esferas do saber. A ignorância torna o homem manipulável e instrumentalizável, e quanto menor for o grau de informação e conhecimento, mais desprotegido estará frente aos abusos (Morais, http://www.marisapsicologa.com.br/as-12-vulnerabilidades.html17) e à violência.

O viver em condições precárias destaca a importância da relação entre o ambiente, o entorno e o indivíduo na dinâmica do processo de adaptação psicológica (Garcia, 20017). Desse modo muitas crianças são vítimas das mais diversas formas de violência, seja doméstica ou urbana (Celia, 19974) que incluem maus tratos e abuso sexual que prejudicam lentamente a personalidade do sujeito (Fuentes et al., 19886) e reforçam a importância do ambiente e do indivíduo em interação na dinâmica da adaptação psicológica (Jessor, 19939).

 Mesmo em situações menos severas o prejuízo psicológico tende a ocorrer quando a criança é freqüentemente admoestada, seja pelos pais e irmãos, seja por pessoas do entorno, como outros parentes, professores ou amigos de casa. De acordo com aquilo que se ouve ou se vive surgem interpretações interiores sobre a realidade. Tais interpretações frequentemente conduzem a processos repressivos cujas conseqüências são modificações de comportamento. Neste caso, é comum que se deixe de dizer o que se pensa por receio de castigo e se pratique aquilo que é esperado para ser agradável; emoções como a cólera são escondidas para não demonstrar indignação e outros tipos de comportamentos (Brown, 20133).

O mesmo se pode dizer sobre a exposição de talentos criativos como o canto, a pintura, a poesia e outros, que quando censurados ou ridicularizados de alguma forma, podem fazer com que o indivíduo deixe de expressá-los. Este processo repressivo pode ser entendido como uma forma de proteção, mas ao mesmo tempo representa o isolamento e o medo da vida3. Nesse processo sacrificam-se relacionamentos e oportunidades que podem ser irrecuperáveis, pois além da perda de tempo, perdem-se contribuições exclusivas de determinado tipo de talento.

A vida é permeada por incertezas e acontecimentos desagradáveis que estão além do querer e fora de controle. A luta entre o que se quer e o que se pode ter é constante, bem como as decepções e frustrações. 

Assim, imaginar que a felicidade é o objetivo principal da vida é utópico e até prejudicial, uma vez que se corre o risco de inquietações ou mesmo de depressão que levam aos estados sombrios da alma. Como resultado recorre-se à negação e à repressão de tudo o que é indesejado. O sofrimento fica tão sem sentido que a busca da cura se oculta nele e impossibilita o acesso (Medeiros,  201313). Diante das crises e da infelicidade ocorre a percepção de que algo precisa ser feito e neste caso o sofrer, a reação heróica ou a lamentação são inevitáveis (Hollis, 19998). 

Quando formos capazes de perceber nossas mesquinharias, ciúmes, rancores e outros sentimentos negativos isso poderá ser revertido em aspectos positivos, pois nessas emoções há muita energia vital. Ao evitar os estados sombrios da alma para perseguir a felicidade perpetua-se o sofrimento, uma vez que não há descanso nem relaxamento enquanto o estado de alerta é constante. O ego tem afinidade com o controle, a segurança e o não conflito, por isso desconsidera, reprime e nega. Grande parte da vida é vivida dessa forma, com a negação como neurose e a fuga da realidade8.

Este trabalho teve como objetivo evidenciar alguns aspectos sobre o sentimento de vulnerabilidade, suas origens e influências no comportamento de pessoas.

Material e Método

Para atingir o objetivo foi realizada revisão de literatura do assunto pela consulta de livros e outras publicações pertinentes.

Resultados e Discussão

Mascara ou persona e a sombra.

A fuga da realidade faz com que o indivíduo deixe de viver a sua essência para viver a máscara desenvolvida pelas diferentes formas de auto-repressão, conferindo-lhe uma aparência artificial. Então, para enfrentar as situações difíceis do dia-a-dia assume-se uma forma de ser que não é autêntica, mas aquela como os outros esperam que seja, ou como ele desejaria ser. Esta aparência artificial Jung chama persona (Jung 1971) que é como um papel teatral que se interpreta para o outro. Este papel ou esta personagem muda de acordo com o ambiente social ou o entorno onde há necessidade de aceitação no grupo e, portanto, de adaptação a cada circunstância (Jung, 197111). A persona no ambiente de trabalho é uma, na convivência com amigos é outra, nos relacionamentos amorosos uma terceira e assim por diante, com objetivo de ser bem visto e aceito. Nessa construção pode ocorrer de o indivíduo utilizar esse recurso de tal maneira que ele vive como gostaria de ser para ser aceito, e não o que realmente é. Essa máscara é necessária para a adaptação à vida e à sobrevivência em sociedade e ser a imagem que o indivíduo mostra externamente, se constituindo em um dos aspectos mais exteriores do próprio individual11 (Jung, 1971).

A persona representa também o envoltório que contém as expressões de sentimentos e pensamentos que o indivíduo adquire e mantém na relação com impressões conscientes e inconscientes. Assim é o representante da psique coletiva dentro da própria personalidade individual ao mesmo tempo em que pode ser uma variação dessa personalidade que gira ao redor do ego podendo mudar constantemente com o decorrer da vida e de suas situações. Por outro lado, não ter a persona é tão ruim como tê-la em excesso, pois quando ocorre a identificação do indivíduo somente com a máscara ele pode confundir sua individualidade com o seu papel social, esquecendo seu verdadeiro eu. Embora possa se sentir forte e poderosa a pessoa não se humaniza11.

Todavia a repressão das emoções fará com que elas fiquem depositadas no inconsciente e representarão o inconsciente pessoal, que como tudo que é inconsciente é projetado no outro11. Todo ser humano é acompanhado por sua sombra e quanto menos ela estiver incorporada em sua vida consciente, mais escura e espessa se tornará, podendo tornar o indivíduo incompleto e desequilibrado11. 

Ele oculta na psique tudo que é rejeitado pelos padrões sociais e por si mesmo, ou seja, aquilo que é contrário à moral. O inconsciente é povoado com figuras mentais reprimidas, que comprometem a liberdade do indivíduo, pois embora não pertençam à consciência influenciam as atitudes humanas. Ele somente verá sua sombra se mergulhar em si mesmo por meio do autoconhecimento, que pode ser facilitado pela terapia, mas que cabe a cada um realizar11. 

De acordo com Monbourquette (2007)14 a natureza da sombra se assemelha a várias constelações, cada uma constituindo um “complexo psíquico”. Por sua vez, cada complexo é composto por um conjunto organizado de imagens, palavras e emoções, formando uma estrutura autónoma e dissociada do eu consciente. Esta estrutura constitui uma “sub-personalidade” comparável a uma “personagem” de peça de teatro, autónoma, independente do encenador e dotada da sua própria personalidade. Estes complexos surgem muitas vezes nos sonhos do homem e podem exercer sobre ele uma influência tal que ele se torna literalmente possuído. Neste estado faz o que não quer e não pode fazer aquilo que desejaria. Tal identificação leva à negação das pulsões da sombra e da própria existência da sombra. A pessoa que o fizer obedecerá rigorosamente aos códigos do seu meio social, devido ao medo de ser excluída e assim criará uma ansiedade incontrolável à menor infração às regras que protagonizar. Estará atenta às expectativas reais ou imaginárias do seu meio e preocupada com sua imagem que renunciará às suas aspirações mais autênticas14. 

Também pode ocorrer de o indivíduo privilegiar sua sombra e obedecer indiscriminadamente às pulsões. Neste caso rapidamente torna-se prisioneiro da sombra, e adota desvios de comportamentos agindo de modo instintivo, primitivo, infantil e regressivo. A vida em sociedade irá ser impossível para essa pessoa, porque daria livre curso às suas tendências sádicas, invejosas, ciumentas, sexuais e outras. Em resumo, quem aceitar tornar-se a sua própria sombra, condena-se a viver subjugado pelos seus desejos. Esta atitude, longe de resolver a tensão moral, não ajuda em nada à reintegração da sombra14.

Outra possibilidade é o indivíduo identificar-se ora com o ser, ora com a sombra. Neste caso, o indivíduo leva normalmente uma vida moral exemplar. A sua reputação de cônjuge, de pai e de cidadão modelo faz inveja a todos. Depois surgem momentos de fadiga e de depressão. As pessoas tomam então liberdades em relação aos seus princípios morais. Estes desvios temporários do comportamento assumem formas variadas, com graus de gravidade muito diversos: extravagâncias amorosas, aventuras sexuais, acessos de cólera, excesso de bebida, pequenas patifarias, calúnias, maledicências e outros comportamentos. Tais pessoas seduzidas momentaneamente pela tentação, voltam a cair em si, arrependem-se das suas faltas, e tomam boas resoluções até reincidirem. Estão prisioneiras de um ciclo infernal. Divididas entre as aspirações do ser e os impulsos da sombra, as pessoas correm o risco de naufragar ciclicamente num marasmo psicológico e espiritual e de ficarem prisioneiras de um círculo vicioso14 .

Necessário ter em mente que antes de julgar o próximo, pensando em ajudá-los, que é melhor trabalhar sobre si para aprender a recuperar as projeções da própria sombra. Destaque-se que a denúncia de projeções maldosas lançadas sobre os outros não se faz sem perigo, porque pode atrair sobre o denunciante a vingança das pessoas assim postas em causa. O destino que Jesus sofreu ilustra-o bem14.

Toda emoção reprimida quer na forma de persona, quer na forma da sombra irá se constituir em vulnerabilidades, que permanecerão no inconsciente, adquirindo com o seu acúmulo e o passar dos anos cada vez mais força.

Assim para maior equilíbrio é necessário identificar as vulnerabilidades, saber reconhece-las, bem como suas origens e incorpora-las. Por exemplo, todos tem aversão à incertezas e às exposições emocionais que levam a manter uma distância segura e  uma saída estratégica para as situações embaraçosas. Assim é útil identificar os comportamentos e entender o que eles sugerem, que é diferente de um diagnóstico, que por vezes tende a dificultar a procura de ajuda. Muitas vezes tais problemas estão relacionados ao medo da humilhação de parecer alguém comum, ou seja, o receio de nunca se sentir bom o suficiente para ser notado, amado, aceito ou para atingir determinada meta ou objetivo.

 Em outras palavras, as pessoas se esforçam para acreditar que são suficientemente boas, porque uma vida comum é destituída de sentido. Isso condena o sujeito a passar a maior parte da vida ouvindo, explicando, reclamando ou se preocupando com as qualidades que não tem e se sentindo inadequado ao convívio em sociedade, pois desperta o ciúme, a cobiça e o preconceito nas interações com a vida. Este tipo de problema advém particularmente da comparação da vida que se leva com uma visão de realidade praticamente inatingível ou mesmo ficcional de alguém que tenha conquistado todos os desejos. 

Outra fonte perigosa de comparação é a nostalgia do passado ou de lembranças de bem estar em relação às dificuldades do presente, mas que por vezes sequer existiram3. A essas questões Brown (2013)3 denomina de síndrome da escassez representada principalmente pela vergonha, pela comparação e pela desmotivação. 

No primeiro caso há muitas situações em que o medo do ridículo e da depreciação muitas vezes usados em sociedades e empresas como método de controle das pessoas. A comparação, quando as pessoas são mantidas confinadas a padrões estreitos ao invés de serem valorizadas por suas contribuições e talentos específicos. A desmotivação quando há o medo de correr riscos ou tentar coisas novas, sendo mais fácil compartilhar ideias, histórias e experiências. Então é necessário superar essas pressões e lutar por aquilo que se acredita para que a escassez não se torne o modus operandi da vida. O oposto da escassez é a plenitude, que em sua essência é a vulnerabilidade de enfrentar as incertezas ou a exposição aos riscos emocionais sabendo-se suficiente3. 

Outras questões são colocadas por Lyra (2001)12 que o dia-a-dia dificulta responder ou refletir sobre elas. Qual o sentido do que vivo? Qual o sentido do medo como vivo? Qual o significado da constante sensação de que há algo faltando ou de que embora esteja sempre acompanhado ainda há o sentimento de solidão? Porque o sentimento de medo ao invés da alegria como se algo maior estivesse sempre ali à espreita, rondando e esperando como uma ameaça? 

Talvez não haja lembrança do fato de que para o caminho da felicidade passa-se obrigatoriamente pela cruz. Todos os meios de comunicação nos ensinam todos os dias a necessidade da distração para fugir da cruz, do sofrimento e encontrar um meio que alivie o peso da vida. Porém, o vazio interno está lá a espera para ser ouvido, tocado, visto, assimilado. Se o peso diário está na solidão a primeira atitude é ligar a televisão, o som, o computador, o telefone, enfim, fazer qualquer coisa que passe a sensação de que não há solidão. Quando há uma ruptura amorosa afoga-se a mágoa em um bar qualquer, ou boate ou ainda em braços desconhecidos. Dessa forma o abandono não parecerá completo. Assim, antes que se tenha tempo de avaliar a rejeição, já se entra em outra relação que estará contaminada pela anterior. Assim cria-se um rosário de sentimentos inacabados ou se acaba prisioneiro de uma relação indesejada, por culpa, por medo ou por uma infinidade de justificativas, pois já não existem forças para dizer: não! Não quero isso!  

De acordo com Lyra (2001)12 a via de escape para tais problemas em geral caminha pelo lado da sombra e da persona, como formas de enfrentar a adversidade. E é natural que assim seja. Mas com o passar dos anos o que restará dessas armaduras, seus propósitos e significados? Observa-se facilmente que a vida moderna empurra os indivíduos para inflação do ego, com sua sociedade voltada para o progresso do “quanto mais melhor”, altamente consumista e que celebra o excesso. Assim tudo o que poderia deixar o indivíduo vulnerável vai sendo rejeitado, suprimido e arquivado na dimensão interior da sombra, onde se acumula tudo o que não é aceito, que é negado e que se passa a ver nas pessoas do em torno por meio de projeções, devido à não consciência desses aspectos. “Eu sou tudo o que vejo em ti e não reconheço em mim. Eu sou igual a ti”.

Vulnerabilidade na adolescência

Na adolescência os jovens são especialmente vulneráveis à uma grande variedade de possibilidades, muitas contraditórias e por vezes conflitantes, mas que eles desejam explorar, testar, experimentar e julgar, de forma que os riscos tornam-se atraentes. Assim, a crise de identidade, os conflitos e ambivalências dessa fase os expõem a angústias e vulnerabilidades das quais não tem como se esquivar. O sentimento de onipotência, de urgência e a suscetibilidade a pressões grupais também contribuem para o aumento da vulnerabilidade. A esses fatores psíquicos, juntam-se outros, de ordem sociocultural como a baixa estimulação para o desenvolvimento pessoal e social, a exposição ao autoritarismo e mesmo à violência dos adultos, bem como as reduzidas oportunidades de participação de cidadania. Todos esses fenômenos tornam a adolescência um período de elevada vulnerabilidade (Olimpio, 2010)15. 

Segundo Aberastury (1992)1 o adolescente sofre perdas que precisam da elaboração do luto como a perda do corpo infantil, da bissexualidade por adquirir características que distinguem seu sexo; da identidade infantil, pois a sociedade lhe impõe papéis maduros; o luto pela perda dos pais da infância que eram idealizados como heróis, perfeitos e adorados. Acrescente-se sua inserção num mundo em constante metamorfose pela evolução tecnológica, transformação dos valores morais, éticos, econômicos, políticos, sociais e ecológicos. Estes despencam para as consequências da urbanização não planejada e problemas de moradia, saneamento, transporte, segurança, empregabilidade e lazer que induzem grande dificuldade na convivência familiar, cujas consequências mais imediatas são a banalização da sexualidade e da violência. Todos esses aspectos somam-se ao consumismo imposto pela sociedade capitalista que coloca o TER antes do SER e estabelece as leis da vantagem, da estética sobre a ética, do descartável sobre o durável, do artificial sobre o natural, do novo sobre o velho e assim por diante. Na atual sociedade individualista e competitiva os adolescentes ficam por anos entregues a si mesmos, com poucas oportunidades de viver construtivamente o pertencer à humanidade. Isso quando não são rapidamente excluídos e marginalizados.

Atualmente não existem os rituais de passagem para a vida adulta. A sexualidade, antes signo de iniciação e de transgressão perdeu esse significado e, de certa forma, foi substituída pela droga. Esta última carrega também para o tráfico, a prostituição, trabalhos ilegais, insalubres ou perigosos, projetos irrealizáveis, gravidez não planejada e outras situações de degeneração que levam para descrença e alienação.

Todos esses fatores conduzem o adolescente a uma vida insegura, cheia de medos, de vergonha, de desmotivação, conduzindo novamente ao caminho da persona e da sombra.

A vulnerabilidade nos adultos 

Lyra (2001)12 pesquisou e encontrou vários aspectos ligados à vulnerabilidade nos adultos, a qual revela o modo de ser da alma do indivíduo no momento em que se apresentou vulnerável. Jung (2010)10 preconiza a necessidade do encontro da vida simbólica. O símbolo para ser reconhecido como tal deve mostrar um sinal de reconhecimento, sendo o sinal visível de uma realidade invisível. A outra parte é o sentido que se deve encontrar. Uma dor no peito ou uma sufocação é o sinal para a procura do símbolo que se deve encontrar para dar sentido à esta experiência, além, é claro, de buscar ajuda médica.

As imagens e as emoções descrevem o sentir-se vulnerável, mas são apenas sua metade. Sua compreensão ou significado é a outra metade. Para cada imagem há uma rede de associações que podem ser explicações e que pode levar a apreender o símbolo.

Muitas são as imagens descritas por Lyra para a compreensão daquilo que vem a ser a vulnerabilidade e elas variam de pessoa para pessoa devido às muitas diferenças da individualidade, de origem e particularmente das bases psicológicas que repercutem nas dimensões biológica e social, todas interligadas de alguma forma. 

De acordo com Avens (1993)2 o homem percebe as imagens, mas não as cria, porque elas já fazem parte dele, como ocorre nos sonhos. Ninguém cria um sonho, embora possa até participar dele, mas como um elemento do todo. Hilman (apud Lyra 2001) afirma que “a própria alma é uma imagem de fantasia: Estamos sempre, em uma ou outra configuração arquetípica, uma ou outra fantasia, incluindo a fantasia da alma e a fantasia do espírito...”. Viver psicologicamente significa imaginar coisas. Estar na alma é experimentar a fantasia em todas as realidades. Isso significa que pela fala do imaginário é possível encontrar um espaço de liberdade na alma; liberdade de expressão, que geralmente não é vista ou ouvida, como tal no cotidiano. É para esta realidade do imaginário que nos fechamos naturalmente ou como defesa e se acaba prisioneiro do racionalismo ou sombra ou persona e perde-se o contato com a alma, dimensão que é preciso resgatar. Se a distância aumenta muito transforma-se em sintoma e este busca de alguma forma ou linguagem fazer algum tipo de contato, como tentativa de cura.

Deve-se levar em conta que a maior parte das coisas que acontecem com o indivíduo ocorre em nível do inconsciente, embora se acredite ter clareza e lucidez de consciência. De fato há alguma consciência, mas não é possível dimensionar o inconsciente. O inconsciente quer se tornar consciente e se nos revela por meio de fantasias e imaginação. Através delas é possível o resgate do si mesmo. Libertação é a consequência da ousadia de ser vulnerável com consciência12.

Lyra descreve várias formas de se sentir vulnerável, mas aqui vamos considerar apenas alguns aspectos.

Várias são as formas de se sentir vulnerável. Alguém pode se sentir como uma criança com menos de dois anos de idade, que se perdeu dos pais e se encontra em meio a uma multidão desconhecida. A criança chora desesperada para localizar seus pais por meio de suas lágrimas. A criança pede colo. 

A ameaça à criança é o estar perdida em busca de ajuda. Essas imagens da criança podem ser um símbolo do eu como do Si-mesmo. Não se trata da criança como idade cronológica, mas de adultos que se sentem como crianças quando vulneráveis. A criança é por certo a imagem da própria vulnerabilidade, quase totalmente dependente em todos os sentidos de um outro, que a conduza, cuide, eduque, ame e proteja.   Nesse caso é possível imaginar que o sentimento em questão, demonstrado pela fantasia, está no meio da multidão querendo o eu de diferenciação, isto é, emergir do coletivo, da massa. Ou ainda, a multidão interior de imagens, forças inconscientes que ameaçam o pequeno eu, seu desejo de voltar para casa, para a união que lhe deu origem. Essa busca pode ser pelo eu externo para preencher um vazio que se sente, como um amigo, os pais naturais ou arquetípicos, um irmão ou qualquer pessoa que o ame. Mas também a busca pode ser por um eu interno que possa encontrar sua segurança definitiva, isto é, Deus.

O desenvolvimento da psique é idêntico ao da criança que depende da mãe, pois depende do Si-mesmo. Essas duas entidades formam no início uma só, que é a base da autoconsciência (Neumann apud Lyra, 2001) e o acreditar em si mesmo depende quase completamente da relação originária fundamental com a mãe. Enquanto o eu seguro é bem sucedido ao abandonar-se e remeter-se ao si mesmo no sono ou no perigo como no processo criativo, o eu rígido é inseguro e por medo agarra-se a si mesmo. Na infância há um estreito vínculo entre o eu e o Si-mesmo, equivalente ao ego e à divindade.

Com as primeiras separações entre estas duas dimensões interiores surgem as primeiras dores e os primeiros choros da alma. Quando o indivíduo age ou sente como criança, provavelmente responsabilizará o outro ou alguém de fora pelos seus fracassos e danos, porque ainda não é responsável pelos próprios atos. 

Segundo Jung (2.000)10 o arquétipo da criança pertence à humanidade inteira e não somente ao indivíduo, por isso deve-se formular que o motivo da criança representa o arquétipo pré-consciente da infância da alma coletiva. Mas essa imagem também pode representar uma ruptura pela qual o indivíduo tenha passado, particularmente se for um rompimento com o mundo mágico, próprio da infância, para uma vida voltada para a ambição, para explicações racionais da vida, com a perda do imaginário, dos contos de fada. 

A experiência do abandono será vivenciada por todo ser humano em alguma etapa da vida, tendo conotações diferentes à medida que a consciência se desenvolve. Em geral, no adulto, estes abandonos podem vir relacionados aos rompimentos de relações afetivas, às separações de relacionamentos e às dores da perda.

Falar da criança significa falar das transformações pela quais os indivíduos deverão passar um sem número de vezes ao longo da vida. A criança representa o novo, ou aquilo que até ontem era válido, mas hoje já se tornou velho exigindo transformação, em que se inclui, por exemplo, o casamento ou opções religiosas, escolhas feitas espontaneamente, mas que com o tempo se tornam um peso insuportável. Tornam-se meras prisões enquanto o sentido não for encontrado10.

De acordo com Lyra (2001) é necessário que se passe pelo abandono, pelo exílio de sentir-se só e vulnerável, desamparado. Isso induz o encontro do herói que existe dentro de cada um e que deseja e anseia encontrar o maior de todos os tesouros, apesar das ameaças constantes e do perigo de sucumbir. 

Outra situação frequente de vulnerabilidade descrita por Lyra (2001) é quando o indivíduo se sente no meio de uma floresta, na qual dezenas de víboras venenosas pretendem ataca-lo. Não tem como nem para onde fugir ou nem mesmo coragem para fazê-lo. As presenças rastejantes são maiores que as forças do indivíduo que fica à mercê do ataque que pode ocorrer a qualquer momento.

A primeira questão que se coloca é a respeito do significado das víboras. A primeira observação vem do Gênesis em que a serpente figura no tema da tentação e queda de Adão e Eva ou os primeiros pais. Uma serpente que fala, é astuta e sedutora que induz a mulher a comer o fruto da árvore proibida do conhecimento e assim adquirir discernimento. Segundo Eddinger (apud Lyra 2001) o jardim é uma imagem do Si-mesmo e representa, nesse caso, a unicidade original do ego, a natureza e a divindade. É o estado inicial, inconsciente e animal para formar uma só entidade com o si-mesmo. A consciência ainda não apareceu e, portanto, não há conflito, o ego está contido no si-mesmo.

Psicologicamente a serpente é o símbolo da gnosis, o conhecimento, ou a consciência emergente. A tentação da serpente representa a necessidade de auto-realização do homem e simboliza o princípio da individuação. A serpente é também símbolo sexual, da sabedoria, da astúcia, representação do demônio, morte, transformação e renascimento. Em linguagem psicológica é um adequado símbolo do inconsciente como um todo, exprimindo suas súbitas mudanças, intervenções inesperadas às vezes perigosas e geradoras de angústia.

Qual o significado da ameaça de ser picado por uma ou várias serpentes? A picada da víbora representa antes de tudo a morte, ou, em linguagem figurada, a tomada de consciência e a transformação. Momento perigoso uma vez que a cada aumento de consciência depara-se com um novo conflito. A dualidade é acionada e surge o debate entre os opostos como a certeza e a dúvida, a coragem e o medo, ir ou não ir e assim por diante. Dezenas delas representam dezenas de possibilidades de tomadas de consciência, mortes das quais o eu não tem coragem de fugir, nem de enfrentar. Pode estar aí o medo da humilhação, o medo de que “aquela víbora” possa causar difamação ou incriminar, ou diminuir seu desafeto diante dele mesmo ou de outros. 

Todavia, não há qualquer tipo de reflexão ou diálogo com o agressor. Há somente o sentimento da agressão. Lyra (2001) coloca várias reflexões a respeito. Por traz da agressão não haveria o medo profundo da humilhação? O agredido não seria tão perigoso quanto o agressor causando-lhe as mesmas sensações? Estes sentimentos de humilhação seriam necessários para o engrandecimento pessoal? O agredido não seria tão perigoso quanto o agressor? Porque esta necessidade? Seria para compensar algum sentimento de inferioridade diante de algo maior que causa a vulnerabilidade e expõe as fraquezas do agredido? Mas esse algo maior poderia ser a grandeza de Deus e é isso que humilha, pois já que a luta é para ser importante, aplaudido, admirado o tempo todo ou, então, vem a queda. Jung (1971) observa que “A História Universal humana consiste, desde o início, num confronto do sentimento de inferioridade com a arrogância.” Carotenuto et al. (1990) apud Lyra (2001) completa “O desejo de humilhar o outro, é o desejo de expressar o poder que se tem sobre ele”. 

O entorno está repleto de relações do desejo de dominação sobre o próximo em variados graus de severidade alcançando mesmo as piores patologias, pois a serpente e o poder estão sempre próximos. A picada da serpente ou sua ameaça ou tentação atua para oferecer o discernimento entre o bem e o mal dentro de cada um. Esta diferenciação seria a passagem para a saída do inconsciente onde havia conforto para um caminho mais difícil em direção ao intimo do indivíduo para ficar frente a frente com a arrogância e poder reconhecer a necessidade de crescer e abrir os olhos para o desconhecido. No agressor reside também a possibilidade de redenção, de autoconhecimento. Aceitar estes fatos começa a funcionar como uma vacina contra as picadas das víboras, transformando seu veneno em antídoto. Quando isso acontecer o “eu” terá passado o comando para algo maior que ali estava reclamando o seu direito e o medo tenderá a desaparecer. Nesse estado a víbora não mais atacará, mas apenas ficará agitada, podendo fazer barulho, mas não mais atacará.

A floresta de onde provém as víboras é o símbolo da mãe simbólica ou metafórica, o lugar de origem do “eu”, que nasce do Si-mesmo que vem do inconsciente. Então a mãe no caso é o reino interior do indivíduo e representa o inconsciente. Então a floresta representa o inconsciente.

Os medos em geral tem sua origem em situações externas, paralisa a libido como energia psíquica, fazendo com que o indivíduo se comporte de forma imatura, pois faltam-lhe as forças para despertar o herói dentro dele. Então deverá reunir forças, conhecimento e pedir auxílio para fazer a “regressão à mãe”.

Em outras palavras estar vulnerável na floresta é uma analogia da possibilidade de restabelecer a relação entre o eu e o inconsciente, entre o eu e o Si-mesmo e é o processo designado por Jung como Individuação. Este faz com que o indivíduo se torne ele mesmo, sem divisões internas, porém de preço alto que faz com que o homem moderno fique paralisado na sua maturação. 

De acordo com Jung O homem percorrerá o caminho para a individuação enquanto tornar consciente as coisas do inconsciente, que para muitos é doloroso, pois cada passo no caminho requer sofrimento. Significa deixar emergir em si tudo aquilo que sufocou por anos a fio dentro do inconsciente e a sombra se contrapõe ao eu, a anima combate o animus e a luz ilumina as trevas. Estas dualidades indicam as muitas contradições pelas quais o indivíduo tem que passar para atingir a totalidade (Jung, 2010)10.

A vivência entre opostos provoca o sofrimento pela contrariedade que não pode evitar e o caminho para a totalidade requer justamente este encontro com os contrários. O maior e o menor dentro do indivíduo, uma que ameaça com sua grandeza a pequenez do outro. O complexo de inferioridade tende a se prender em seus conceitos e preconceitos para ficar em segurança dentro de sua zona de conforto conhecida. Todas as figuras de autoridade como pais, professores e outras revelam-se nas dimensões da alma, onde estão os conflitos do indivíduo com ele mesmo. Do choque de opostos nasce a vulnerabilidade onde está a melhor possibilidade de crescimento, mas também a grande ameaça. Estas significam as transformações necessárias a cada integração do inconsciente na consciência. Para algumas pessoas trata-se de um processo agônico constante que só se alivia por meio da escrita, da pintura ou outras formas de expressão artística, poia é necessário dar forma ou expressar as imagens. O inconsciente se infiltra no consciente e o indivíduo por meio da introversão vai ao seu encontro. Aa  luz ilumina as trevas12.

Resiliência pode ser entendida como a capacidade dos indivíduos de superarem os fatores de risco aos quais são expostos, mediante o desenvolvimento de comportamentos adaptativos e adequados. Pessoas resilientes evitam os efeitos negativos de fatores de risco e desenvolvem competência social, acadêmica e vocacional (Cowan et al. 1966)5. Elas apresentam temperamento mais flexível, e podem modificar os ambientes em que vivem, pois as novas situações ou mudanças representam evolução ao invés perdas de esperança e expectativa4,6. Henderson & Milstein (1966) adotam o termo resiliente em situações de enfrentamento de doenças, dores e sofrimentos correlatos em que é necessário o esforço pessoal. A vulnerabilidade aumenta a probabilidade de um resultado negativo na presença de risco5.

Mas dentro de cada um reside uma força transformadora, que diante do obstáculo tem duas opções: sucumbir ou seguir o chamado da alma buscando novos significados para a vida. Pessoas resilientes são aquelas que passaram pelo sofrimento, mas se adaptaram positivamente às situações adversas, encontrando caminhos para a reconstrução de suas vidas. Em momentos tempestuosos de perda, luto, separação e outras inicia sua jornada saindo da zona de conforto conhecida em busca de algo maior para enfrentar e superar dificuldades que se impõe5. 

É inevitável que a descida à escuridão seja repleta de renúncias e sacrifícios, porém a volta ao ponto de origem acontece sempre que se segue o chamado da alma que busca o preenchimento. Talvez o momento tempestuoso permita contemplar a vida humana e perceber um potencial que, ao ser desenvolvido independente das limitações, mostra a direção a ser seguida.

As vulnerabilidades são de certo modo experiências ruins a que todos em maior ou menor grau estão sujeitos, com amplas variações nas formas de reagir que poderão provocar diferentes níveis de sofrimento. Mas que podem, se reconhecidas, serem enfrentadas e superadas na reintegração da vida, em busca do bem maior.

Conclusão

Vulnerabilidade não é conhecer a vitória ou a derrota, mas compreender a necessidade de ambas, pois a incerteza, os riscos e as exposições emocionais do dia-a-dia não são opcionais. A vontade de assumir os riscos e se comprometer com a própria vulnerabilidade determinam o alcance da coragem e a clareza de propósitos. Por outro lado, o grau de autoproteção contra a vulnerabilidade é a medida do medo e do isolamento em relação à vida (Brown, 2013). Portanto, vulnerabilidade não é sinal de fraqueza ou um sentimento inadequado, apenas demonstra que o homem não pode, na sua arrogância, julgar-se perfeito.

 

Referências Bibliográficas

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4.Célia, S. Grupos comunitários. In: Zimerman, D., Osorio, L.C. Como trabalhamos com Grupos. Porto Alegre, Artes Médicas, 1997).

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6.Fuentes, L. B., Serrano, R. H., Colmenarez, A. P. et al. El abuso sexual en niños e jovenes. Caracas: Ediluc., 1988)

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13.Medeiros, P.Q. Abordagem junguiana do sofrimento. Parte 1. http://semeandojung.blogspot.com.br/2013/02/abordagem-junguiana-do-sofrimento-parte.html). 

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16.Roselló, F.T. Antropologia do cuidar. Editora vozes. 2009. 196pp.

17.Morais, M.G.G.M. http://www.marisapsicologa.com.br/as-12-vulnerabilidades.html)

Flávio Ruas de Moraes

Graduado em Medicina Veterinária pela Faculdade de Ciências Agrárias E Veterinárias (1976), mestre em Farmacologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (1981) e doutor em Morfologia e Biologia Celular pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (1986), Livre-Docente em Anatomia Patológica em 1989 e Professor Titular na mesma disciplina desde 1996, no Departamento de Patologia Veterinária da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista, Unesp, Jaboticabal, SP. Especialista em Psicologia Analítica pelo Instituto Ânima de Estudos Junguianos (2015).

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