CONTRIBUIÇÕES AO TEMA DO SIMBOLISMO DO CAVALO, POR MEIO DA ANÁLISE DO FILME SONHADORA (DREAMER).

Letícia Marino Pio

Simbologia do Cavalo

RESUMO

O artigo foi referenciado na psicologia analítica. Teve por objetivo contribuir com o amplo tema do simbolismo ao apresentar a importância e o potencial criativo e de transformação associados ao cavalo enquanto símbolo. Isso foi feito por meio da análise do filme Sonhadora. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica por livros da teoria junguiana e pesquisas de artigos nas bases de dados Scielo e Google Acadêmico com as palavras-chave: “cavalos”, “horses”, “equoterapia”, “simbolismo do cavalo”, “relação homem cavalo” e “simbolismo”. Por meio da análise do filme, foi possível exemplificar como o cavalo pode atuar como símbolo transformador na psique humana resultando em desenvolvimento psíquico. O personagem que se apresenta dissociado de suas capacidades e desejos pelo uso excessivo da racionalização é convidado pela potência simbólica instintiva do cavalo a se aproximar de seus aspectos de modo a se reintegrá-los em sua consciência. Exemplificando a atuação do símbolo vinculado à força arquetípica do curador ferido, o artigo contribuiu com o amplo tema do simbolismo, exemplificando a função transformadora de um animal ferido em uma família ferida. 

Palavras-chave: Cavalos; Psicologia; Simbolismo; Individuação. 

INTRODUÇÃO

O fenômeno da ciência e do pensamento científico com certeza trouxe incontáveis ganhos à sociedade, assim como no desenvolvimento dos seres humanos. De acordo com Jung (1), o homem vem desenvolvendo o que chamamos de consciência por meio de um processo de civilização, que pode ter iniciado com a escrita há aproximadamente 4.000 anos a.C. Como resultado desse processo o homem criou um mundo onde ele acredita dominar a natureza. Ao se afastar da natureza, perde contato com as características primitivas que fazem parte da mente original, preservada no que chamamos de inconsciente (1). 

 A capacidade de isolar parte de conteúdos de nossa mente foi importante para desenvolvermos a habilidade de nos concentrarmos em uma coisa de cada vez (1). Contudo, a fixação no raciocínio científico em detrimento das outras funções psíquicas também conduziu a perdas importantes para o desenvolvimento da psique e do processo de individuação. Jung (1) chama atenção ao fato de que em épocas remotas, quando o instinto ainda não era dissociado do homem de modo espontâneo e sem seu consentimento, a consciência era capaz de integrá-lo de modo coerente. A “avançada consciência” privou o homem de assimilar as contribuições dos instintos e do inconsciente. 

 “Entupimos” o canal de comunicação entre consciência e inconsciente, transformando os símbolos em “figuras sem sentido” (1), e em “demônios reprimidos” (1). Mesmo afastados da consciência, os instintos básicos não deixam de existir. Jung afirma que quanto mais nos afastamos do inconsciente, maior a possibilidade de irromper sua contraposição (2). De maneira indireta, eles se expressam por meio de sintomas físicos, incidentes, lapsos, alterações de humores inesperadas, entre outros (1). 

Jung ressalta o fato de que o homem gosta de acreditar-se senhor de si (1). Contudo, enquanto o homem não for capaz de integrar seus conteúdos, de modo a acessar suas emoções e tornar-se consciente das inúmeras maneiras de expressões de seu inconsciente, tanto maior a influência que receberá desse em seus projetos e decisões, e menor será a sua autonomia. (1, 2).

Esse processo é chamado na obra Junguiana de processo de individuação, harmonização do consciente com nosso centro interior (3). A busca por tornar-se diferente do coletivo, mas não separado dele. É chamado processo por ser sempre contínuo, inevitável e individual. De forma não linear, é necessário o confronto com os diversos papéis que assumimos de forma adaptativa ao mundo, o reconhecimento de aspectos pessoais que ainda permanecem escondidos (sejam eles “bons” ou “ruins”) e confronto com os aspectos fundamentais do feminino (ânima) e do masculino (animus).

Está associado à ânima as intuições proféticas, receptividade ao irracional, capacidade de amar, sensibilidade à natureza e relacionamento com o inconsciente (3). O animus por sua vez está associado à força para as convicções – conferindo potência para realização dos conteúdos inconscientes –, agressividade e assertividade (3). Esses conteúdos fazem parte do que chamamos de conteúdos arquetípicos. 

Os arquétipos são conteúdos de propriedade humana como uma predisposição funcional de produzir ideias semelhantes (4). São padrões de estruturação ligados ao instinto, e perceptíveis somente por meio de suas manifestações em eventos e experiências básicas e universais (5). Não sendo possível o acesso aos arquétipos em sua forma básica grandiosa, ele se vale dos símbolos para auxiliar no eterno trabalho de separação e integração consciente.

O símbolo é uma linguagem inconsciente. Ele é a imagem de conteúdos que transcendem a capacidade de percepção consciente (4). Não podem ser confundidos com sinais, que são figuras substitutivas de coisas conhecidas (6). De acordo com Jung (1), algo pode ser considerado simbólico quando manifesta alguma coisa além do significado imediato, sendo eles uma tentativa natural de reconciliar e unir elementos antagônicos na psique. O símbolo desempenha um “papel psicológico mediador e proporcionador de transição” (5). A essa capacidade de unir dois elementos distantes, gerando uma terceira imagem transformadora é chamada de função transcendente (2, 5).

A impossibilidade de ser abordado utilizando-se do intelecto ou da lógica, com uma definição absoluta, faz com que o simbolismo seja um verdadeiro aborrecimento para o pensamento científico (1). A exploração de um símbolo conduz à ideias fora da razão, e é essa energia psíquica que lhes confere sua importância tão significativa (1). 

Dentre os símbolos de grande importância na psique está o cavalo, animal que guarda uma profunda relação com o ser humano ao longo de sua história, se apresentando como uma alternativa física e simbólica de auxílio ao humano.

Um exemplo dessa relação pode ser visto no filme Sonhadora (7), nome original “Dreamer: inspired by a true story”, que foi dirigido por John Gatins e lançado no Brasil em 2006. Sua estória foi baseada na história real da égua Mariah`s Storm. Esse animal havia se lesionado em uma corrida, mas sendo um animal muito promissor seus treinadores dedicaram-se à sua recuperação ao invés de realizar a eutanásia. Foi adicionada à história de Mariah`s Storm (no filme chamada de Sonedore, sonhadora em espanhol) a estória de uma família com dificuldade de relacionamento. O filme apresenta o processo de cura da égua em paralelo à recuperação da família.

O acesso ao filme foi feito pela assinatura do programa Netflix. A pesquisa bibliográfica foi realizada por meio de livros de teoria Junguiana e pesquisas na internet em sites de busca de artigos como Scielo e Google acadêmico, utilizando as seguintes palavras-chave: “cavalos”, “horses”, “equoterapia”, “simbolismo do cavalo”, “relação homem cavalo” e “simbolismo”.

Este trabalho tem como objetivo apresentar, a partir do referencial teórico da psicologia analítica, a importância e potencial criativo e de transformação associados ao cavalo enquanto símbolo, por meio da análise do filme Sonhadora (7). Não se pretende de modo algum esgotar o significado simbólico do cavalo e nem oferecer uma análise detalhada dos conteúdos apresentados no filme. O objetivo é apresentar uma contribuição para o amplo tema que é o estudo do simbolismo, tendo como foco a função transformadora de um animal ferido em uma família ferida. 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

O encontro entre homens e cavalos

De acordo com dados arqueológicos, os cavalos surgiram há aproximadamente 55 milhões de anos, na era Cenozoica, período Eoceno, no território que hoje chamamos de América do Norte. O Eohippus, mantinha-se sobre quatro patas, com quatro dedos e media aproximadamente 35cm de altura. Seus descendentes passaram pelo Estreito de Behring, atingindo a Ásia e a Europa, onde seguiu-se a evolução dos equídeos até chegar ao Eqqus caballus przewalskii, cavalo como conhecemos hoje – aproximadamente 1,60 cm de altura e 350 kg, e apenas um dedo revestido de proteção rígida. Seus ancestrais norte americanos foram extintos, e a expansão das novas espécies seguiu-se também para a África (8).

Esse animal tem como característica ser um herbívoro, cuja maior arma de proteção é a fuga, e quando essa não é possível, o coice (9). Além disso, é um animal que tem costume de andar em grupos, onde há um líder a ser seguido, que avisa sobre os perigos e a maneira como a fuga deve ser feita (9, 10). Nota-se, portanto, que esse é um animal que apesar de sua potência é pouco agressivo e que tem como característica a contribuição com o grupo, além da aceitação de um líder. A capacidade de respeitar sua potência, assim como a potência do grupo, do líder e de outras espécies, são as características primordiais que promoveram o estabelecimento de um relacionamento duradouro entre essa espécie e os seres humanos. 

O encontro entre cavalos e humanos remonta das eras mais antigas. Há inclusive registro desses encontros na arte rupestre, como por exemplo, as pinturas rupestres da caverna de Lascaux no sul da França (11) e o Cavalo de Mazouco junto ao rio Douro em Portugal, datada do período Paleolítico Superior (12). Isso demonstra o interesse dos humanos por esses animais desde as eras mais antigas, quando possivelmente eram caçados como fonte de alimentação. 

O processo de domesticação dos cavalos teve início em 6000 a.C., e já em 2000 a.C. foram levados ao Egito e à Grécia como instrumento de guerra, tendo adquirido a partir deste momento o “status” de indivíduo (8). Desde então, os cavalos foram utilizados na agricultura, transporte, como arma de guerra, exercendo papel importante nas conquistas de território e sobrevivência de povos, comércio e esporte (8, 9, e 10). 

Figura 1 – Pinturas rupestres da caverna de Lascaux, sul da França.

Fonte: Rosa, 2013, p. 19. (11)

Figura 2 – Pintura rupestre Cavalo de Mazouco, Portugal.

Fonte: (http://mazouco.no.sapo.pt/gravuras.htm) (12)

Na agricultura o cavalo foi utilizado como força de tração, assim como transporte para pastoreio de rebanhos. Exerceu função de destaque para a produção de alimentos em massa, garantindo a sobrevivência das populações (11). Como transporte, permitiu que os humanos percorressem os territórios em menos tempo, possibilitando a conquista de mais espaço produtivo e maior rapidez nas fugas de ameaças. Ao facilitar a transposição de grandes distâncias, teve papel importante na comunicação entre os povos e no desenvolvimento do comércio. 

Enquanto força que confere maior agilidade ao humano, a presença dos cavalos tornou-se fator determinante e de poder de uma população sobre outra (10). Desde a época dos “descobrimentos” o cavalo foi usado pelos colonizadores ingleses como fator ameaçador para os índios Americanos, que desconheciam a espécie por estar extinta do seu continente há milhares de anos. Estar montado em um cavalo deu segurança ao homem para enfrentar os seus desafios, ficando mais forte e mais rápido (8, 10). O uso do cavalo como arma teve sequência durante as diversas batalhas e guerras entre os Estados em busca de poder. 

Com relação ao esporte, o cavalo esteve nas disputas desde os Jogos Olímpicos da Grécia (com carros – bigas ou quadrigas –, ou com de sela). Posteriormente, ele ganha espaço como terapeuta (13, 14), assim como atleta nos jogos de polo, corrida, salto e adestramento. 

Quanto ao processo de domesticação, é interessante notar historicamente que homens que desempenharam um papel notório socialmente e que se utilizaram dos cavalos como meio ou ferramenta nesse processo tinham aproximação respeitosa com o animal. Isto é, não se utilizavam da força bruta no trato, mas sim da observação do animal e da sua forma de reação instintual. Ao longo dos anos e com o advento da Revolução Industrial que rebaixou o cavalo a um objeto de força bruta a ser utilizado, a imagem do cavalo passou a ser de uma força a ser vencida. Dessa forma, a domesticação passou a ser feita com brutalidade e imposição de força, levando, inclusive, alguns animais à morte (8, 9). 

Além das diversas funções descritas, o cavalo historicamente também desempenhou papel terapêutico. Os benefícios citados por diversas obras escritas, tendo início aproximadamente em 500 anos a.C., variam desde de melhoras de tônus muscular, até redução de sintomas psicológicos como a histeria e a hipocondria (13). Além disso, foi considerado como tratamento para a insônia, melhora na rapidez de decisão, exercício para os sentidos, tratamento de “gota”, ânimo para o sangue e a mente, além de estimulante do sistema nervoso simpático (13). 

O cavalo como terapeuta tem sido utilizado na atualidade na equoterapia, trazendo diversos benefícios, como melhora de tônus muscular, postural e comportamental (ansiedade e relacionamento interpessoal) de pessoas em situação de deficiência ou não (13, 15, 16).

O simbolismo do cavalo

Quanto maior o conhecimento científico, menor a humanização (1). A diferença entre o homem e o animal é que o primeiro é capaz de racionalizar. Como visto anteriormente (1), a categorização permitiu a sobrevivência da espécie e com consciência o homem dominou o mundo. Contudo, o uso exagerado da consciência para o controle da natureza fez com que o homem perdesse sua identificação emocional com esta, assim como com os fenômenos naturais e com o inconsciente (1). Um rio que não abriga mais um espírito de vida, também não é mais capaz de alimentar a profunda conexão simbólica de energia emocional (1).

Nas populações mais antigas, a floresta ganhou vida como divindades, e os animais desempenhavam o papel de guias. Por meio da projeção de conteúdo via xamã, os animais foram veículo de comunicação inconsciente/transcendente. Como animais de poder, funcionaram como psicopompo, guias, fazendo a ponte entre consciente e inconsciente (17). A perda de conexão com o mundo e suas imagens, transformou esses guias naturais em algo ameaçador. 

O cavalo, assim como qualquer outro símbolo/arquétipo, traz consigo significados opostos, carregando uma totalidade, como por exemplo, ser ao mesmo tempo, o mensageiro da morte, ou aquele que carrega o sol e o nascer do dia (ou da vida). De qualquer forma, sua conexão com o mundo inferior, assim como sua próxima relação com os deuses, possibilita que esse animal funcione como símbolo psicopompo. Na mitologia, inclusive, há imagens de cavalos que têm a capacidade de voar, e conviver entre o mundo superior e o inferior, como o Pégasus. (18).

Portanto, o cavalo é aquele que faz a conexão entre os mundos, conexão entre consciente e inconsciente, luz e sombra, físico e mental. Ainda hoje, essa ideia pode ser percebida na expressão “cavalo” utilizada para descrever o médium em religiões chamadas “espíritas”. O guia monta o médium (montaria do espírito), portanto o cavalo tem função de condutor pelos assuntos inconscientes. No filme Sonhadora (7), a égua realiza esse papel de condutor simbólico para o personagem Ben. 

Outra imagem que carrega essa dualidade é a figura mitológica do centauro, ser meio humano (parte superior) e meio cavalo (parte inferior), e que em sua figura carrega um arco apontado para cima. O centauro carrega a representação de ser guiado pelos instintos, parte cavalo, mas ter a parte consciente humana, e seu arco voltado para o céu a tentativa de conexão com o divino. Por ser guiado pelo instinto, os centauros são descritos como seres impulsivos, que se faz conhecer pela força física e insensata (19). É exatamente sua conexão entre a parte animal e parte humana, assim como a busca com a conexão divina que os tornam criaturas diferentes. O centauro expressa fisicamente a dualidade humana, nem animal, nem divino, assim como o desafio de trabalhar as duas partes em conjunto. 

Existem duas versões mitológicas gregas para a criação dos centauros (19). A primeira delas é a união entre Íxion – rei capaz de tantas crueldades, que foi banido da Grécia – com Néfele, uma mulher feita de nuvem à imagem e semelhança de Hera, esposa de Zeus a quem Íxion perseguia. A união da crueldade com a ilusão parece retratar bem a origem selvagem e completamente entregue aos instintos da figura mitológica dos centauros. 

Outra versão para a origem dos centauros foi a união da ninfa Fílira com o deus Crono, que teria possuído Fílira sob a forma de um cavalo, dando assim origem ao ser meio humano, meio animal. De acordo com Brandão (20) esse levou o nome de Quirão, grego kheíron, possivelmente abreviatura de kheirurgós, “que trabalha ou age com as mãos”. Após seu nascimento, Quíron foi abandonado no monte Pélion, tendo vivido em uma gruta sob a proteção de Apolo (deus da luz da verdade, artista e exímio arqueiro) e Ártemis (deusa da caça) que lhe ensinaram artes divinas e curativas, assim como a habilidade de lidar com seu lado animal. Dessa forma, ao contrário dos centauros descritos acima, Quíron era amigo dos humanos e foi professor de diversos deuses, como Peleu, Aquiles, Asclépio, entre outros (19, 20).  Foi representado na constelação como uma flecha (sagitta) por representar a síntese dinâmica do homem, que voa pelo conhecimento para transformação de ser animal para ser espiritual (20).

O curador ferido

Quíron, personagem da mitologia grega, era diferente dos outros centauros, como descrito acima, não só por ser imortal, mas também por ser capaz de fazer um uso diferente de sua dualidade. Esse já se dedicava à medicina e à educação dos heróis quando o herói Héracles, um de seus aprendizes, se desentendeu com outros centauros. Na batalha Quíron acabou sendo atingido acidentalmente com uma flecha que carregava o veneno da Hidra de Lerna (19). Para esse veneno não havia antídoto ou cura, e por ser imortal Quíron não morre, mas deve aprender a conviver com a imensa dor de uma ferida sempre aberta. Dessa forma, o curador carrega agora também sua ferida, o que desperta sua sensibilidade, compaixão e compreensão à dor alheia (19).

Os opostos são aproximados para que haja a possibilidade de transformação. Quíron era capaz de lidar com sua dualidade de instintos e já carregava a ferida interna de abandono por parte dos pais. Contudo, ele era imortal, e possivelmente incapaz de compreender os temores e dores envolvidos pela possibilidade de morte (real ou psíquica). Pela sua ferida, o curador de vida eterna é aproximado da doença e da possibilidade de finitude. Vida e morte são colocados em um mesmo contexto. E é essa aproximação que atua de forma transformadora, sendo a função transcendente o terceiro elemento resultante da união entre consciente e inconsciente (2, 5).

Ao treinar seus aprendizes, de acordo com Bosco e Oliveira (19), Quíron passava por quatro fases: 1. Identificar o próprio dom; 2. Limpar as negatividades do corpo, na psique e na aura; 3. Resgatar a intuição e a essência animal sem a interferência do racional; 4. Lidar com a morte em seus ciclos, assim como na natureza. É dessa forma que Quiron apresenta o processo de conexão entre a parte humana e a instintiva – parte homem, parte cavalo, consciente e inconsciente. Isto é, caminhar em seu processo de individuação, fazendo conexão consigo mesmo e identificando a própria sombra (passos 1 e 2). Se conectar com a parte divina e fazer uso adequado de suas faculdades (passo 3). Porém, sempre retornar à sua parte humana, se lembrando de sua finitude (passo 4). 

Análise do filme Sonhadora

O filme apresenta a história de Ben Crane, casado (Lily Crane), com uma filha (Cale Crane) e pai (Pop Crane) morando em sua propriedade. Atravessando dificuldades financeiras há anos, Ben trabalha como treinador de cavalos de corrida para investidores. Tem seu trabalho como fuga da realidade, mantendo seu relacionamento com a família distante, e sequer conversa com seu pai, Pop. Acompanham seu trabalho dois latinos Balon e Manolin, sendo um deles o jóquei que treina os cavalos para corrida.

Manolin treinava os cavalos para a corrida, mas não participava de competições após um acidente em sua primeira corrida onde ficou gravemente ferido. Após o incidente traumático (não só físico, como emocional), Manolin tem sonhos recorrentes dele escorregando o pé, caindo do cavalo e acordando antes de chegar ao chão. Balon e Manolin trazem características dissociadas de Ben. Como latinos, eles representam aspectos calorosos, de brincadeira, toque e conexão que inicialmente estão totalmente apartados de Ben. São esses aspectos dissociados que inicialmente fazem a comunicação e a interação com o animal. 

Ben é bastante intuitivo no trato com os cavalos, porém submete sua intuição ao desejo de poder de seu patrão. O resultado é um acidente durante a corrida, onde a égua que ele treinava quebra o 3° matacarpo, osso essencial para a sustentação do animal. Sendo o cavalo um animal muito sensível, e após essa lesão não ter mais função para corridas, o procedimento legal é a eutanásia. Contudo, motivado pela presença de sua filha, Ben enfrenta o patrão, é demitido e recebe o animal machucado como parte de seu pagamento. Com ele também são demitidos seus companheiros.

Nota-se que a presença de uma ânima jovem, com maior pureza e possibilidade de conexão com os instintos, permite que a primeira transformação dê início. A decisão do rompimento do vínculo com algo que tinha pacto apenas com demandas conscientes de poder, e não dava espaço para as demandas inconscientes transformadoras, é o primeiro ponto de transformação do filme. Ao se machucar naquelas circunstâncias, com o auxílio do poder simbólico da presença da ânima, a égua, enquanto símbolo, libera o pai para o uso de sua função mais poderosa, o seu instinto.

Nesse ponto, Ben, seus companheiros e sua filha vão se dedicar à reabilitação do animal, acompanhado de diversas transformações familiares. Ben se aproxima de seus aspectos dissociados, e, mesmo sem desejo consciente, chama à equipe um outro elemento importante de sua psique “o velho sábio”. Representado por Pop, este testa a intuição de Ben, e em diversas outras cenas aparece como aquele que dá bons conselhos ou que traz ferramentas para que as decisões tomadas possam se concretizar. 

O velho indica o sacrifício do animal, trazendo a questão de que para que uma transformação aconteça, algo, necessariamente, precisa ser sacrificado. No caso, o não sacrifício do animal, exige que Ben abra mão de suas tentativas de controle dos eventos da vida. Ben decide por recuperar a égua e se recuperar financeiramente com um filhote do animal. Nota-se que, nesse ponto, Ben ainda estava ligado somente à função pensamento – a recuperação do animal é trabalho, e não como um animal de estimação (portanto, de estima). 

Quanto à recuperação do animal, o médico veterinário observa: sua recuperação também depende dela. A égua também precisa destinar energia a si para se transformar, o arquétipo precisa dispor de energia psíquica disponível para poder atuar. Após superação de obstáculos como o dinheiro para pagamento da inseminação da égua por meio da oferta de Pop, que mais uma vez convida o filho a confiar em seus instintos, novos desafios aparecem. A égua é estéril. Enquanto representação do arquétipo de Ben, a égua apresenta sua ferida diante da incapacidade de lidar com suas próprias impotências, assim como a impossibilidade de controlar e também de lidar com os eventos da vida. 

Apesar desse problema, a esposa de Ben – que representa uma ânima mais madura, e capaz de olhar para a situação de forma mais integrada de conexão com o inconsciente – reconhece o papel transformador do animal, dizendo ser essa a melhor coisa que aconteceu na casa, pois com sua chegada foi reatada a união familiar que não havia há anos. Contudo, Ben está dissociado de seus aspectos de ânima e ainda não é capaz de se deixar tocar pelas informações que essa traz. 

Assim, a ânima jovem e potencializada de energia psíquica, atua, libertando o poder arquetípico da égua em algo avaliado, usualmente, como incidente. Cale decide fugir com a égua, o que dá espaço para que ela mostre toda sua potência. Para conter essa força avassaladora, todos os aspectos da psique são convocados. Ben precisa salvar a ânima (representada por Cale) agora em perigo pela libertação da força arquetípica de curador. Além disso, necessita mobilizar seus aspectos acolhedores e expressivos, representados por Balon e Manolin, para recuperar a égua e serem capazes de apresentar sua potência a Ben, por comunicação verbal, e provas concretas (no caso, o laudo veterinário).

Eis aí outro ponto importante. O animal como símbolo da força arquetípica de curador, demonstra sua capacidade de superação. Contudo, Ben não acessa essa energia, e, utilizando a dissociação da racionalidade, utiliza essa energia de modo a suprir seu complexo de inferioridade: a égua participa de uma corrida, recebe oferta de venda e é entregue. Quantas vezes as demandas do Self são deixadas de lado? Quantas vezes, sob a regência dos complexos a possibilidade de cura é entregue para outros? Cale reconhece que havia uma chance e que foi perdida.

Acontece então mais um ponto de convite à transformação. Ben lê a redação de Cale, transcrita no anexo 1.

Nessa estória, Cale descreve a história de seu pai como em um conto de fadas. Destaca o cavalo como aquele que pode, após uma trajetória de dificuldades (que ele mesmo conhece), restaurar os reinos (ou as psiques, e os relacionamentos). Nota-se que ao final da estória, todo reino é reestabelecido, isto é, quando uma transformação pessoal acontece, não apenas o indivíduo é beneficiado, mas também todas as pessoas à sua volta.

A égua é então retomada por meio do dinheiro do “velho sábio” – por sua capacidade de reflexão, até então “escondida”. Agora, Ben abre mão de seu desejo de poder, dando espaço para que seus outros aspectos comandem o andamento dos fatos. Sonhadora pertence à Cale, e parte à Pop e aos companheiros de trabalho. É feita a conexão entre a potência do arquétipo com o ânima  criativa e transformadora. Cale, representa uma energia psíquica menos represada em complexos, possibilitando um melhor uso e contato com o poder transformador do animal. Então, as maiores mudanças continuam a acontecer: Cale convoca o jóquei a se preparar para uma corrida de verdade de novo, a relação entre Ben e a esposa agora flui com conversas e companheirismo, assim como um esboço de transformação da relação de Ben com o seu pai Pop aparecem em cena. Os aspectos antes dissociados iniciam uma comunicação.

Com a vitalidade e coragem de Cale – símbolo da ânima jovem e transformadora – que confia na potência de seu animal, a égua é aceita para competição da Copa dos Criadores. Isto é, o arquétipo consegue conquistar um espaço psíquico para simbolicamente atuar a transformação. Contudo, ainda há o obstáculo financeiro, que pode ser entendido como um teste para verificação de qual caminho realmente será escolhido, o da conexão ou o da separação entre instinto e consciência. 

O primeiro dono da égua aparece para fazer uma oferta: comprar o animal e restabelecer o emprego do pai. A proposta é negada, demonstrando uma das mudanças mais importantes: a energia propulsora para as decisões já não está mais aprisionada no complexo de inferioridade. Interessante notar, que essa decisão é tomada por Cale, após consultar a opinião de Ben. Isto representa mais uma vez a comunicação que agora passa a ter entre os elementos psíquicos de Ben. Eles não agem mais à sua revelia, mas sim consultam sua opinião para atuar. 

A energia psíquica, antes tão dissociada começa a voltar para o próprio sujeito. Outra cena que representa essa transformação é o sonho que o jóquei compartilha: estava em um cavalo rápido, e cavalo e cavaleiro voavam como anjos. Cavalo e cavaleiro em conexão, juntos. A isso ele interpreta como sinal de Deus para retornar às corridas, quando Ben entra em cena com a possibilidade de um novo investidor. A linguagem simbólica do sonho apresenta a potencialidade do que estaria por vir. Essa comunicação simbólica e a sincronicidade da informação de novas possibilidades de investidores permite a retomada da confiança da ânima representada por Cale. Assim, ela é capaz de expressar a confiança necessária para que mais um investimento seja feito no processo de cura. O investimento financeiro colocado na égua representa a disponibilização de maior energia psíquica para a atuação do símbolo. 

Antes da corrida, Cale acalma o pai dizendo que ele havia salvado a égua e ela retribuiria o favor. O animal, nesse caso, representa conteúdos pessoais ou feridas, dos quais não é possível se “livrar”. É justamente o símbolo do animal ferido que liberta a energia psíquica represada em complexos, atuando como função transcendente. A tentativa de matar ou dissociar de aspectos indesejados também é uma forma de matar a si próprio. É por meio do diálogo entre os elementos que se dá um novo destino para a energia psíquica. Feridas “à flor da pele” trazem a possibilidade de cuidado e convivência constantes com a dor. O arquétipo do curador ferido apresenta o elemento de que é justamente essa aproximação com a ferida que permite compreender a dor para, enfim, transformá-la.

Nas cenas finais, o jóquei, ainda inseguro, perde o pé no estribo. Contudo ele consegue retomar, retomando também sua confiança e conferindo mais energia para o arquétipo. A égua cumpre sua função simbólica de trazer a potência do curador que reconhece o sofrimento, mas não se entrega a ele. 

Na história real, Mariah`s chegou em 9°  lugar na Copa dos Tratadores (21). Como Sonhadora ela exerce um papel ainda mais importante do que chegar em 1° lugar, que é o de desempenhar o papel de curador ferido, e como função transcendente, transformar a disposição dos complexos dos personagens, de modo a reunificar os elementos de Ben. 

DISCUSSÃO

O homem tem a pretensão de dominar a natureza, contudo, ele acaba ainda sendo vítima dessa pelo fato de ainda não ter aprendido a dominar a si mesmo (1). Ao falar dos sonhos, comunicação simbólica da psique, Jung (2) lembra que todo processo psíquico acontece por um motivo. Portanto, é importante a pergunta de “Por quê?” e, principalmente, “Para quê?” as imagens e atuações acontecem (2, 5). 

Na estória apresentada acima, o personagem Ben se vale do processo de racionalização na tentativa de evitar o contato com suas emoções e desejos inconscientes resultantes de uma tentativa frustrada de exercer uma atividade. Ao invés de utilizar o caminho da comunicação entre consciência e inconsciente, Ben acaba sendo vítima de seu processo de racionalização. Ele dissocia de sua personalidade os aspectos quentes, de atuação, acolhimento, e de ânima que poderiam conferir a ele a potência necessária para a realização de seus desejos.

Jung (4) nos lembra que é compreensível que um desejo seja acompanhado de medo, pois a paixão acarreta destinos e situações irrevogáveis. O destino causa medo por ser incompreensível e ilimitado, o que faz com que o homem hesite diante do envolvimento nessa luta, que pode ser perigosa. Contudo, Jung (4) prossegue: quem renuncia à façanha de viver, sufoca dentro de si o desejo de fazê-lo, cometendo um suicídio parcial. 

A reação que é reprimida perde sua capacidade de regulação psíquica, acelerando e intensificando o processo de conscientização (2). A facilidade com que se reprime uma reação é proporcional à dissociação da psique. O contraponto, é que o indivíduo acaba sendo impelido justamente às situações as quais ele deseja evitar (2). Assim, a situação vivida pelo personagem tem o “para quê” de retirá-lo do movimento de suicídio parcial e de trazer os conteúdos afastados da consciência, afim de que eles fossem transformados. 

É essa função que cumpre o símbolo do cavalo, que se apresenta como condutor pelos caminhos do inconsciente (montaria do espírito). O animal simbólico acessa a potência de ação de Ben, que, aos moldes da reação desse animal, é forte, porém não agressiva, e se conecta com o grupo a sua volta, facilitando a conexão entre os elementos psíquicos. 

O símbolo do cavalo, nesse contexto, também se vale da energia arquetípica do curador ferido. A predisposição funcional de produção de padrões ligados ao instinto se manifesta por meio do símbolo do cavalo, lembrando que feridas abertas devem ser tratadas, e não escondidas ou mortas, e que são justamente essas feridas que conferem a compreensão e sensibilidade às belezas e aos “para quê?” que o processo de viver possibilita.

O resultado dessa comunicação entre os conteúdos psíquicos, facilitado pelo símbolo do cavalo, é o desenvolvimento pessoal e emocional do indivíduo. Essa comunicação é o que chamamos anteriormente de função transcendente, unir elementos que estavam dissociados, criando novas possibilidades de organização e ação. São essas novas formas de “organizar” a energia psíquica que podemos entender como o processo de individuação. Dessa forma, individuar-se, significa constantemente estar em contato com os próprios conteúdos, reorganizando-os de modo ao melhor uso da energia psíquica pessoal. De acordo com Jung (22), se consideramos que cura significa tornar sadio um doente, então cura é transformação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio da análise do filme Sonhadora (7) foi possível exemplificar a atuação simbólica do cavalo na psique humana. Para além do cavalo físico, o símbolo do cavalo trouxe a potência arquetípica do curador ferido para o restabelecimento dos aspectos psíquicos do personagem, que estavam dissociados, devido ao enfrentamento da vida pela racionalização e não comunicação entre consciência e inconsciente. O símbolo do cavalo fez possível a comunicação entre os aspectos dissociados, gerando um novo elemento de transformação e desenvolvimento psicológico. Dessa forma, o trabalho cumpre o objetivo de apresentar, por meio da análise do filme, a importância e potencial criativo e de transformação associados ao cavalo enquanto símbolo. Contribui com o amplo tema do simbolismo, apresentando a função transformadora de um animal ferido em uma família ferida. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1. Jung CG. Chegando ao inconsciente. In: Jung CG. O homem e seus símbolos. 2ª ed. especial brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 2008. p.15-131.

2. Jung CG. A natureza da psique. 5ª ed. Petrópolis: Vozes; 2000.

3. Franz ML. O processo de individuação. In: Jung CG. O homem e seus símbolos. 2ª ed. especial brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 2008. p.207-307.

4. Jung CG. Símbolos da transformação. Petrópolis: Vozes; 1986.

5. Samuels A, Shorter B, Plaut A. Dicionário crítico de análise junguiana. [edição eletrônica]. 2003. [acesso em 17 mar 2015]. Disponível em: http://www.rubedo.psc.br/dicjung/listaver.htm.

6. Silveira N. Jung: vida & obra. 21ª ed. São Paulo: Paz e Terra S/A. 2007.

7. Sonhadora [filme]. Produtor: Hunt Lowry, Brian Robbins e Michael Tollin. Rio de Janeiro: Downtown filmes; 2006.

8. Embrapa. A interação do homem pantaneiro com seu cavalo. Corumbá; 2009. (ISSN 1981-7223).

9. Farmer-Dougan VA, Dougan JD. The man who listens to behavior: folk wisdom and behavior analysis from a real horse whisperer. J exp anal behav. 1999; 72(1):139-149.

10. Nunes B. Guia estudante Abril [homepage da internet]. Entenda como os cavalos ajudaram na construção da história [18 mar 2015]. Disponível em: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/entenda-como-cavalos-ajudaram-construcao-historia-689439.shtml

11. Rosa SCL. O desenvolvimento do equus caballus e sua influência nas civilizações antigas. [Monografia]. Brasília: Universidade de Brasília; 2013.

12. Mazouco [homepage da internet]. Gravuras rupestres do Mazouco [acesso em 02 dez 2015]. Disponível em: http://mazouco.no.sapo.pt/gravuras.htm

13. Associação Nacional de Equoterapia. Curso básico de equoterapia.

14. Leitão LG. Sobre a equitação terapêutica: uma abordagem crítica. Anal psicol. 2008; 26:81-100.

15. Motti GS. A prática da equoterapia como tratamento para pessoas com ansiedade. [Dissertação]. Campo Grande: Universidade Católica Dom Bosco; 2007.

16. Silva MC. A percepção de mães de crianças atendidas em equoterapia. [Dissertação]. Campo Grande: Universidade Católica Dom Bosco; 2006.

17. Collin L. Animais da mitologia celta na poesia irlandesa contemporânea. Aletria. 2011; 21(3):139-151.

18. Ronecker JP. O simbolismo animal: mitos, crenças, lendas, arquétipos, folclore, imaginário. São Paulo: Paulus; 1997.

19. Oliveira B, Oliveira IC. Mitologia e vivências humanas. Rio de Janeiro: Wak; 2009.

20. Brandão, JS. Mitologia Grega: volume II. Petrópolis: Vozes; 1987.

21. Wikipedia [homepage da internet]. Mariah´s Storm [acesso em 05 mar 2015]. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Mariah%27s_Storm

22. Jung CG. A prática da psicoterapia. 12ª ed. Petrópolis: Vozes; 2009.

ANEXO 1

 “Era uma vez um nobre rei. Ele vivia em um castelo bonito em frente de um campo verde. Uma tempestade se aproximava. De repente, os cavaleiros noturnos começaram a roubar seu reino pouco a pouco. Mas o rei era guerreiro, e sabia que seu cavalo mágico o ajudaria a restaurar a ordem. Ele não era como os outros reis. Era tranquilo e amável. Todos amavam o rei, ainda que ele não soubesse disso. Procurou bastante até resgatar seu cavalo de um rio feroz. Quando libertou seu cavalo, já havia perdido seu reino, e havia se rendido. Mas o cavalo sabia o que fazer. O levou por montanhas e rios. Quando parecia que morreriam, o cavalo pediu que o rei confiasse nele. O rei não sabia se realmente o cavalo havia falado com ele ou se havia imaginado porque estava há dias sem comer nada. Não muito depois, o cavalo tentou escalar uma montanha. O rei pensou que morreriam. Mas o cavalo alcançou o topo. No topo, encontraram o seu reino restaurado. Todos saudaram o rei com tortas e cafés.”

AGRADECIMENTOS

Agradeço à Deus pela diversas oportunidades que ele me permite, sendo a primeira delas, a vida.

Agradeço aos meus amados pais e irmã, que, com muito amor, me apoiaram incondicionalmente nesse projeto e me auxiliaram financeiramente.

Agradeço ao meu namorado Michel, companheiro que com paciência me ouviu falar de meus desafios, me apoiando a sempre seguir em frente. 

Agradeço à psicóloga Lívia Bueno, que me auxilia há anos em meus processos tendo papel importante no meu entusiasmo e paixão por nossa profissão, e que contribuiu com os acertos finais desse artigo. 

Agradeço à Idalina Souza, que acreditou em suas demandas mais profundas e nos proporcionou a possibilidade de participar de um curso transformador. 

Qualquer palavra utilizada aqui jamais conseguirá expressar minha gratidão e amor por essas pessoas. 

 

Letícia Marino Pio

Especialista em Psicologia Analítica pelo Instituto Ânima de Estudos Junguianos.

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